A paz não é moeda de troca

The text in English is in the second part of the blog.

A paz não é uma moeda de troca. Então, ela não tem sua vinda garantida após a guerra e, após a morte, ninguém sabe. Mas, em tempos contemporâneos, a paz pode ser facilmente compreendida como o oposto à da aflição. A inquietude mental negativa que vem agregada com dois desconfortos físicos bem característicos: angústia e ansiedade.

As técnicas de meditação trazidas com muita força do oriente nos anos 60, 70 e 80 do século passado, trouxeram diversas metodologias absolutamente funcionais para diminuir a inquietude mental. A visão oriental diz que o presente é uma fração de segundos entre dois ciclos de respiração e que, nessa fração de segundos, os problemas não existem. Aparentemente, os problemas estariam no passado ou no futuro, que na perspectiva dessas teorias, não seria o tempo presente.

Isso daria o direito ao uso livre das técnicas meditativas para afastar da mente os pensamentos aflitivos, pois eles estariam ligados ao passado e ao futuro (isso faz sentido) e não ao presente imediato, onde, por fim, tudo estaria certo. Quando tentei explicar isso para minha avó, uns 20 aos atrás, ela me disse: “coisa de hippie irresponsável. Só um irresponsável vai parar de se preocupar com as coisas”.

Se você tem lido minhas postagens, já entendeu que, do ponto de vista da Terapia Cognitivo Comportamental (TCC), são os valores que regem nossos comportamentos e, portanto, nossas vidas.

Com isso dito, minha vozinha, hoje morando em uma bela casa de idoso, onde passada pela idade, arrebata as enfermeiras com chineladas e gritos, demonstra com toda sua sabedoria quais são os valores carregados pela minha família: “quem se preocupa é responsável”.

Isso é um valor, então não necessariamente tem lógica. Aliás, como nunca vi preocupação pagar conta ou fazer marido chegar cedo em casa, me parece bem ilógico, na verdade. É claro que o comportamento que resolve problemas é o pensamento dirigido na forma de planejamento, seguido de um comportamento organizado por esse plano que costumamos, de um modo geral, chamar de ação.

Mas, quem conheceu a dona Lola, sabe que “preocupar-se” queria dizer um mundo de atividades mentais, onde, na maior parte das vezes ela estava brigando com situações imaginárias, mas outra parte do tempo, ela tentava antever quais seriam os movimentos subsequentes da vida, para se preparar com antecipação, ou seja, planejar.

Todos nós fazemos isso, gastamos boa parte de nossa atividade mental, revivendo e reescrevendo situações passadas e criando histórias fantasiosas com diálogos e imagens mentais 90% das vezes negativas. Outra parte do tempo, ficamos imaginando situações futuras, em geral negativas ou positivas ao impossível, tentando controlar o futuro imprevisível. Fazemos um mar de planejamentos sobre o passado e o futuro, sempre em condições incríveis que nunca poderão ser realizadas.

Essa impossibilidade de realização é frustrante e gera um padrão de avaliação negativa em relação a vida e a si mesmo: “Não tenho a vida que imaginei / Nunca faço as coisas que imaginei”. Esse padrão de não completude, de não estar completo, realizado, seria o motivo dos desconfortos no presente, segundo os orientais.

Entenda, não sou budista, nem sou um mestre Zen. Nem tenho paciência para isso, meu negócio é resmungar, carrego a dona Lola nas veias. Mas, por outro lado, percebo um mar de polaridades que, se aproximadas em um centro, podem trazer um balanço bastante positivo.

Eu, por ser neto da dona Lola, não consigo deixar de pensar sobre o passado e sobre o futuro, por medo de parecer irresponsável. Então, mantenho essa reserva de sofrimento inútil e absolutamente desnecessário, para que minha “consciência me avalie como uma pessoa responsável”. Isso é inútil, simplesmente porque é inútil ficar pensando em algo que não podemos resolver no presente.

Por outro lado, esvaziar a mente e deixar a vida fluir, me parece o planejamento certo para que se passe fome e se perca o teto em cerca de um ano. Aí, lembro que Buda viveu embaixo de uma árvore comendo só o que era deixado ao lado dele por dez anos!!! Dez tipos de pânico!!! Dez anos embaixo de uma árvore meditando!!!

São dois extremos, um muito estressado e outro muito zen. Dona Lola, versus Buda! A verdadeira guerra infinita! Um estressado, travado em imagens mentais para tentar, através do sofrimento, controlar o futuro. Outro, cuca fresca, deixando que a vida siga seu fluxo, caminhando para viver em baixo de uma árvore sem banho por dez anos.

Qual seria o ponto de confluência, onde um equilíbrio entre as duas pontas seria possível?

Como, apesar de gostar de tecnologia, tenho um pensamento bastante analógico, gosto de responder essa pergunta com as palavras: lápis e papel.

O planejamento é um comportamento mental. Ou seja, um tipo de pensamento dirigido para a solução de um dilema/problema que é guiado através de variáveis que podem ser mentalmente reproduzidas. Como ele é guiado e, para que se constitua como um plano, precisa ter alguma lógica e coerência, também pode e precisa ser organizado. Portanto, passa-lo para o papel ajuda em sua fixação e na avaliação do grau de realidade que ele traz em si. Ao invés de mentalmente ruminar por horas, 10 minutos no papel são mais do que o suficiente para organizar, registrar e guardar o plano.

Chamamos isso de agenda! Funciona. Anotar as coisas para não ficar pensando nelas o tempo todo e, ao mesmo tempo não esquecer. Por outro lado, aquilo que não cabe na agenda é pura fantasia. Assim, se forem situações do passado que merecem uma reflexão, podem ser anotadas também no papel. Chamamos isso de diário. Podemos inclusive fazer três colunas: Eventos, pensamento e sentimento. Talvez uma quarta coluna: aprendizado. Se não houver aprendizado, não vale a pena gastar tempo e vida pensando nisso.

Essa regra de que, o que não pode ser passado para o papel não precisa gastar a mente é muito boa. E, quando se tem uma imaginação muito fértil, ainda se pode criar um blog na internet e escrever pequenos contos e textos com aquilo que sobrar dos filtros.

Fez a agenda, fez o diário e escreveu no Blog, pode desligar a mente e viver no presente. Se estiver difícil, ache uma meditação que te interesse e traga a mente para o presente. Agenda para o futuro, diário para o passado e um blog para o delírio, o resto pode ser paz!

Raul de Freitas Buchi

Peace can not be bought with money

Peace is not a bargaining chip. So, it does not have its coming guaranteed after the war, and after the death, no one knows. But in contemporary times, peace can be easily understood as the opposite of affliction. The negative mental restlessness that comes with two very characteristic physical discomforts: anxiety and anxiety.

Meditation techniques brought in with great force from the East in the 60s, 70s, and 80s of the last century have brought a number of absolutely functional methodologies to lessen mental restlessness. The Eastern view says that the present is a fraction of a second between two breathing cycles and that in that fraction of seconds, problems do not exist. Apparently, the problems would be in the past or in the future, that in the perspective of these theories, would not be the present time.

This would give the possibility to the free use of meditative techniques to remove distressing thoughts from the mind, because they would be linked to the past and the future (this makes some sense) and not to the immediate present, where, in the end, everything would be right. When I tried to explain this to my grandmother, about 20 years ago, she told me: “irresponsible hippie thing. Only an irresponsible person will stop worrying about things. “

If you have read my posts, you have understood that, from the point of view of Cognitive Behavioral Therapy (CBT), there are the values ​​that govern our behaviors and, therefore, our lives.

With that said, my grandma, now living in a beautiful old people house, where she can snatch the nurses with flip-flops and shouts, demonstrates with all her wisdom the values ​​my family carries: “the one who doesn’t care is responsible”.

This is a value, so it does not necessarily have logic. By the way, since I’ve never seen a worry about paying a bill or getting a husband to come home early, works properly, I find that quite illogical, actually. It is clear that the behavior that solves problems is thought applied in the form of planning, followed by a behavior organized by this plane that we usually call “the action”.

Grandma Lola knows that “worrying” meant a lot of different mental activity, where, in most cases, she was struggling with imaginary situations, but another part of the time, she tried to anticipate what movements life would bring against her. It was a way to prepare herself in advance for these life movements.

We all do this, spend a good deal of our mental activity, reliving and rewriting past situations and creating fanciful stories with dialogues and mental images, 90% of the time negative ones. Another part of the time, we imagine future situations, usually negative or positive to the impossible, trying to control the unforeseeable future. We make a sea of ​​planning about the past and the future, always in incredible conditions that can never be realized.

This impossibility of accomplishment is frustrating and generates a negative evaluation pattern regarding life and yourself: “I do not have the life I imagined / I never do the things I imagined”. This pattern of non-completeness, of not being complete, fulfilled, would be the reason for the discomforts in the present, according to the Orientals.

Understand, I am not a Buddhist, I am not a Zen master. I do not have the patience for that, my business is to grumble, I carry Grama Lola in my veins. But, on the other hand, I perceive a sea of ​​polarities that, if approached in a center, can bring a very positive balance.

I am a grandson of Grandma Lola, cannot stop thinking about the past and the future, I have fear of look irresponsible. So, I keep this reserve of useless and absolutely unnecessary suffering so that my “conscience evaluates me as a responsible person.” This is useless simply because it is useless to think of something that we cannot solve in the present.

On the other hand, emptying my mind and letting life flow, it seems to me the right planning for starving and missing the roof in about a year. Then, I remember that Buddha lived under a tree for ten years, eating only what was left next to him, for ten years!!! Ten types of panic!!!!

They are two extremes, one very stressed and one very zen. Grama Lola, versus Buddha! The real infinite war! A stressed out, locked in mental images to try, through suffering, to control the future. Another, fresh head, letting life follow its flow, walking to live under a tree without a bath for ten years.

What would be the confluence point, where a balance between the two ends would be possible?

Well, despite I love technology, I have a rather analogical thought, so I would like to answer that question with the words: pencil and paper.

Planning is a mental behavior. That is, a kind of thinking directed towards the solution of a dilemma / problem that is guided through variables that can be mentally reproduced. How it is guided and, for it to be constituted as a plan, must have some logic and coherence, it can and must be organized. So, pass it on the role helps in its fixation and in the evaluation of the degree of reality that it brings in itself. Instead of mentally ruminating for hours, 10 minutes on paper are more than enough to organize, record and save the plan.

We call this the agenda! It works. Note down things so you do not keep thinking about them all the time and at the same time do not forget them. On the other hand, what is not on the agenda is pure fantasy, it doesn’t fit in reality.

Thus, if they are situations of the past that merit reflection, they can also be noted on paper. We call this a journal (and that is the reason they are so popular on the internet nowadays). We can even make three columns in the pages: 1 – Events, 2 – thought, and 3 – feeling. Maybe a fourth column could be, 4 – learning. If there is no learning, it is not worth spending time and life thinking about it.

This rule that, what cannot be passed onto paper does not need to spend the mind is very good. And, when you have a very fertile imagination, you can still create a blog on the internet and write short stories and texts with what’s left over from the filters.

Make the agenda, write the journal and write on the Blog can turn off the mind and help you to live in the present. If it is difficult, find a meditation that interests you and brings the mind into the present. Agenda for the future, journal for the past and a blog for delirium, the rest can be peace!

Raul de Freitas Buchi

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