Homeopatia para o gado

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A situação é muito diversa em diversos lugares. Na verdade, a situação é tão diversa quanto são diversos os indivíduos que nosso mundinho povoam. Então, escrever daqui o que eu acho sobre o aí é, em última instância, uma grande bobagem.

Cada um vive a sua vida e tenta tirar o máximo possível disso. Lembro de outras postagens em que considero com a vida esse tempo de passagem entre o intrauterino e o o processo de voltar às cinzas. Esse período curto de tempo no qual transitamos entre o aprender, o executar, o ensinar e o envelhecer.

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Cada um de nós passa esse tempo da forma como entende como sendo a possivelmente melhor, cada um vive como pode da forma como melhor entende.

Mentira.

Cada um no seu quadrado, cada um cuidando de seus problemas já era uma coisa sabida na antiguidade grega, isso era uma coisa também entendida na antiguidade romana. Mas esse conhecimento se perdeu com as religiões monoteístas. Basicamente, isso se perdeu com a formação da cultura islâmico cristã que vivemos hoje em dia.

Claro, eu sei, os ocidentais vivem na cultura judaico-cristã. Mas, me desculpe, os judeus não são chatos e, tem por fundamento, viverem suas vidas em paz sem aporrinhar os viventes alheios. A dominação do outro e a intenção física sobre a vida do outro é um legado do cristianismo e do islamismo, bom ou ruim, eu não sei.

Nessas duas religiões a ascensão até a presença de deus depende de você levar consigo o próximo ou exterminá-lo. Não tenho paciência para buscar nos livros as citações exatas. Mas, fundamentalmente a ideia é: ou você converte o próximo ou o próximo precisa deixar de existir para que a terra fique limpa dos pecados.

Assim, desde a invenção do cristianismo, o mundo não tem mais paz entre vizinho, sinos batem de hora em hora.

No império romano a regra era simples: a paz romana podia ser comprada. Se o imposto não fosse pago, o mau pagador viraria escravo, se pagasse, podia seguir vivendo. O sistema funcionou por cerca de 800 anos no ocidente e 1500 no oriente. Dinheiro é algo que se produzia a partir do esforço individual ou coletivo, fosse invadindo reinos ou plantando. Assim sendo, no limite do que é rústico, lavrando-se a terra era possível se chegar em algum lugar, se faltasse terra, invadia-se outro país.

Se você morasse na Roma antiga, ela começava em Portugal e terminava nos limites do Iraque. Lá, nem todo mundo era feliz, aliás, a felicidade nem havia sido inventada. Lá nem todo mundo tinha alma gêmea, aliás, esse conceito nem existia. Mas, de modo geral, pagando seus impostos e não criando problemas para o vizinho, você podia levar a sua vida até que fosse morto por algum inimigo ou por doenças graves como a gripe, o tétano, escorbuto ou piolhos, aos vinte e pouco anos.

Demorava-se muitos meses para ir de um lado a outro do mundo romano, então, cólera ou COVID-19 não eram grandes problemas, morria-se e pronto. As rebeliões dos escravos e dos povos insubmissos eram a grande praga do império. Fora isso, circo e pão e tudo estava bem.

Egípcios adoravam Rá e seu panteão, judeus adoravam Jeová, gregos adoravam Zeus e seu panteão e os romanos adoravam Júpiter e seu panteão. Todo mundo usava saiote porque era o que tinha, quem tinha dinheiro e poder vestia um galho de louro, de resto, sexta-feira era dia de Baco, suruba e vinho.

Claro, haviam inúmeros problemas, a vida devia ser um saco. Não haviam memes nem o Tik-tok (particularmente, não sei como a vida era possível antes disso), então, essa não é uma apologia à vida romana. É simplesmente um lembrete de que, se meter na vida dos outros não foi sempre o padrão da humanidade.

Aliás, mesmo durante a idade média, não existia essa coisa de se meter na vida dos outros. Isso podia acabar em morte. Matar não era um grande crime. Não se ajoelhar perante o rei era um problema, mas matar o vizinho enxerido não era um grande problema.

Claro, quando as igrejas entenderam que a diminuição do número de pessoas nas paróquias era um problema para o recolhimento do dízimo, aí matar virou um problema.

Veja bem: as terras não pertenceram sempre às igrejas. Passou a ser uma mania da igreja cristã “receber” terras como doação de reis e imperadores lá pelos anos de 600 ou 800 depois do ano zero (também inventado pelos cristãos) da contagem cristã de tempo.

Aliás, a contagem cristã de tempo não começou com a morte de Jesus, mas depois de vários concílios da igreja cristã. Então, o dízimo não esteve sempre lá, portanto a vida também não era um bem.

Bom, isso já mostra como o cristianismo se tornou, depois do fim do império romana, na arte de se meter na vida dos outros. Inclusive a marcação das horas como nós temos hoje, é mais ou menos padronizada em função das orações diárias dos cristãos. Um saco de gente enxerida que fica inventando moda e querendo que outros sigam seus padrões.

Chamamos isso de controle.

Um exemplo contemporâneo desse controle, vindo do modelo cristão, é a noção de Biopolítica trazida pelo Foucault. Ele descreve o modelo atual do mundo ocidental de forma um pouco diferente do usual da filosofia. Em vez de judaico-cristão, capitalista ou comunista, e outros modelos, ele usa o termo Biopolítica. Um modelo de governo baseado na Biopolítica.

A Biopolítica seria o processo de relação entre estado e população, desenvolvido a partir do modelo de controle da igreja cristã mas tendo como base a ciência. Por exemplo, se você não lavar a mão depois de ir ao banheiro isso é uma sacanagem com as outras pessoas que estão na mesa com você. Se você não tomar as vacinas direito, você, além de ferrar com a sua vida, ainda por cima, atrapalha o processo da humanidade de um modo geral porque leva uma peste, que podia estar extinta, para as próximas gerações.

É uma troca de modelo de vida, em vez de valores cristãos, valores científicos higienistas, e, ao invés do controlador do processo ser a igreja e sua porta para o céu, o controlador é o estado e seus agentes. Assim, através de argumentos biológicos, e não mais religiosos, criam-se regras e leis para o controle da população.

Criam-se, primeiro, elementos de padronização: água encanada, esgoto, nascimentos, mortes, expectativa de vida, qualidade de vida, escolaridade, empregabilidade. Todos baseados na manutenção do “dízimo”. Discursos e roteiros para discursos sempre com base no biológico/científico.

A partir desses elementos, criam-se parâmetros ou métricas que definem o que está aquém, o que está na média e o que está além. Essa métrica é usada para calcular a satisfação em relação às estratégias de controle traçadas pelo estado contra sua população.

A gravidade ou dano biológico do elemento perante a morte, a dor e indisposição para o trabalho definem o grau da obrigatoriedade de seu exercício pela população. Um exemplo: o uso de EPI´s no ambiente de trabalho ou o uso de capacetes para pilotar motocicletas.

Criam-se estatísticas que demonstram em que pé se encontram os exercícios dessas normativas pela população. Dependendo de como estão estas estatísticas, estratégias de manejo populacionais (gado) são usadas para que esses números melhorem ou piorem nas estatísticas.

Para tanto, os elementos biológicos precisam ser quantificáveis. Sendo assim, felicidade, alegria, tristeza e amor, estão fora dessa lista de elementos.

Mas, o estado, principalmente o estado moderno, já livre de todas as formas de comunismo e mercantilismo é gerido por seres humanos e, sabemos de ante mão que estes, são geridos pela ganância.

Assim sendo, os grandes grupos da indústria cirúrgico farmacêutica e a indústria da construção civil, que são riquíssimas, acabam tendo uma ingerência maior sobre as estratégias do estado do que o jardim ou o quintal da vizinha consegue ter.

(Se você acha que o comunismo existe ou existiu em algum momento, você não sabe ler ou é burro mesmo, a China é um estado capitalista, como foi URSS. A Venezuela e Cuba, também são capitalistas, injustos e covardes, mas sim, “capitalismos de estado”. Exatamente como os Emirados Árabes. E, mesmo que o governo cubano diga que é comunista, só um burro para acreditar, principalmente enquanto toma rum e fuma um charuto cubano com chapéu Panamá, exportados pelo governo cubano).

Com isso, quero deixar claro que, o estado é quem decide quais são os elementos, quais são as ferramentas de mensuração e quais as estratégias que devem ser seguidas e que, esse estado, é determinantemente influenciado pelas indústrias e grandes corporações.

Veja que legal, elas lucram muito em países com capitalismo misto entre o capitalismo de estado e o liberal. Países como o Brasil, que tem liberdade de mercado, mas o governo ainda é o maior comprador e o maior vendedor, compram navios de remédios, constroem mundo de encanamentos e rodovias.

Mas, esses grandes grupos capitalistas residem em países 100% liberais como a Suíça e os EUA, ondes seus presidentes e CEO´s podem tomar homeopatia e comprá-las na farmácia para seus filhos.

O chá de hortelã é um excelente remédio para vermes e para o sistema digestivo. Mas, ele não faz parte de nenhuma política pública de saúde, nossos vasos e jardins não tem fundos de capital para investir em lobbies junto aos governos. Aliás, se seu médico disser para você tomar uma xícara de xá de hortelã por dia para seu problema com gazes, você se ofenderá (gado).

Assim como funciona como nosso vaso de hortelã, funciona com a homeopatia.

Ela é aceita como uma política pública desde que não concorra no mercado dos grandes laboratórios. Então, países como o Brasil não tem acesso aos produtos homeopáticos industrializados que podem ser adquiridos nos EUA , Suíça, França ou Alemanha em qualquer farmácia. É importante para os grandes grupos capitalistas que o estado brasileiro, como outros capitalismos de estado, comprem produtos de determinados conglomerados, em vez de fornecer homeopatia barata e sem efeitos colaterais para a população.

Veja, os medicamentos dos grandes conglomerados funcionam e muito. Ajudam a a prolongar à vida, sem dúvida. Eu tomo minha levotiroxina todos os dias. Mas, não são a única fórmula existente para resolver os problemas.

Perceba o baixo índice de mortes por COVID-19 na Alemanha, Suíça e Áustria, olhe o número de pessoas que ficaram doentes e o número de internações e mortes. Há uma disparidade entre esses números e o resto do mundo, e isso acontece porque nesses países o uso de homeopatia industrializada abrange mais de 65% da população. Testagem ajuda a regular a quarentena, mas não cura ninguém.

Quando a homeopatia é industrializada o preço é mais baixo e é possível comprar sem prescrição médica na farmácia da esquina, sem risco de efeitos colaterais. Então, você entra em contato com o médico e, se você está doente, o frasco vai direto para sua casa, se não, você corre na farmácia e toma como prescrito pelo médico.

Aliás, nem precisa ser médico para prescrever, só precisa ser homeopata.

Então, quando falam que você é gado, não é porque votou em ciclano ou beltrano. É porque, independente do que você acredita, você tem que operar sua vida de acordo com a biopolítica determinada pelos grandes conglomerados. E, essas estratégias de manejo, são pensadas exatamente como se pensa o manejo do gado.

Raul de Freitas Buchi

Homeopahty Science

1 thought on “Homeopatia para o gado

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