A realidade e as escolhas.

Em todos os lugares vemos referências de auto-ajuda em relação à frustração. É comum nas redes sociais, programas de TV e em livros, ouvirmos frases como: ”desapegue-se das expectativas”, “não sonhe com o ovo antes que ele seja devidamente botado”. O problema é que isso é fundamentalmente impossível.
O processo de escolha (ou de “tomada de decisão”, como chamamos na psicologia cognitiva) implica na previsão de um futuro que se inicia a partir da própria escolha. E, portanto, antecipar mentalmente o resultado do que se vai escolher é uma parte inseparável do processo de escolha.
Claro que existe uma diferença entre antever o que será após a escolha e perder-se em fantasias. Mas, ainda assim, para escolher é preciso imaginar, expectar os possíveis resultados das escolhas.
Em certas fases da vida, desencorajado por crises externas (como a que vivemos no país, agora) ou por crises internas, acaba-se antecipando, de forma crônica, resultados negativos para as escolhas. Assim, a iniciativa diminui e a capacidade de empreender também.
Em outras fases, antecipam-se resultados positivos para todas as escolhas, tornando, assim, impossível a tomada da decisão e sua posterior realização.
Esses dois exemplos, sintetizam o quanto é impossível separar a expectativa da tomada de decisão. Elas sempre caminham juntas. É dessa junção indissolúvel que surge o problema real da frustração. A antecipação necessária para a decisão, constrói imagens mentais fortes, portanto, difíceis de evitar que surjam automaticamente à mente depois de criadas.
Nelas se basearão os julgamentos sobre os resultados da escolha. Quando o padrão dessas imagens é muito alto, a realidade nunca as alcançará. Quando o padrão é muito baixo nunca terão disposição o suficiente da vontade para serem materializadas.
A verdadeira solução para isso é a velha máxima da filosofia: ”o bom uso da razão”. Em outras palavras: a – o competente estudo prévio sobre as opções de escolha; b –   o uso de um método claro de análise (lógica, dialética, etc.); c – a tomada de decisão baseado no resultado dessa análise.
Mas, enfim, quem quer fazer escolhas lógicas na vida? Isso é para o xadrez. A predileção é uma vida baseada no querer, na vontade e, pasmem, no desejo. Escolher racionalmente não é um fato da vida, é uma ação empresarial/financeira. A vida é para o desejo: frustre-se e muito!

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